Há 10 anos, Karin Dreijer, do duo The Knife, revelava a persona Fever Ray

Um dos grandes nomes da música eletrônica dos anos 2000 é o da dupla The Knife, formada pelos irmãos Olaf e Karin Dreijer. Com muita experimentação sonora – que não economiza quando o assunto é uso dos mais diversos sintetizadores – eles consolidaram uma sonoridade bem característica, mas isso não era tudo: Fever Ray, nome artístico solo e também título do primeiro disco de Karin, levaria o estranhamento sonoro ainda além!

Lançado em janeiro de 2009, o debut Fever Ray teve grande aceitação pelo público do duo, além de ter sido aclamado pela crítica. Na plataforma Metacritic, por exemplo, o disco teve média de 81 pontos (de um total de 100), com 27 avaliações especializadas. Veja a capa do disco:

No álbum, Karin Drejer conseguiu mostrar um lado criativo menos explorado por ela e seu irmão, Olaf Dreijer. Com uma estética mergulhada em visuais um tanto macabros, a sueca explorou sua independência artística através de muitos contrastes com a sonoridade que seu público estava acostumado, mas também soube equilibrar as similaridades nos sons.

Fever Ray – If I Had a Heart

A progressão é bem explorada em momentos do álbum, como podemos notar na transição da primeira faixa, “If I Had a Heart”, para a segunda, “When I Grow Up”, que se desenvolve de forma crescente a cada segundo. Karin passa de vocais tenebrosos e versos tão determinados que soam quase como uma maldição (“Isso não vai acabar, porque eu quero mais / Mais, me dê mais”, são alguns dos versos em tradução livre), para um mergulho em seus aflitos desejos.

Fever Ray – When I Grow Up

Assim como no clipe da segunda faixa do álbum, ‘When I Grow Up’, no qual vemos Karin assumir o papel principal e prender a atenção com uma coreografia contemporânea, no disco sua voz também ganha o papel principal sob as distorções sonoras, em oposição a sucessos do The Knife como “Silent Shout”, música lançada no álbum de mesmo nome, em 2006. O álbum da dupla antecedeu a estreia de Fever Ray e contava com elementos da música eletrônica bem mais dançantes e amigáveis a pistas de dança.

Fever Ray – Seven

Munida de toda essa intensidade vocal e sua densa e tensa estética, que traz, ao mesmo tempo, um tom mais pessoal e de conflito com si mesma, Fever Ray, mostra uma sensibilidade que até então não tínhamos visto nos trabalhos do The Knife. Escuridão, distorção e fragilidade são três características que conduzem toda a viagem sonora pelos anseios e banalidades da moça.

Fever Ray – Keep The Streets Empty For Me

Além de todo o caos construído através de elementos eletrônicos, instrumentos mais orgânicos e elétricos, como flauta e guitarra, brilham de forma mais limpa do que no trabalho dela com o irmão.

Fever Ray – Triangle Walks

Através da persona Fever Ray, Karin orquestrou seus mais íntimos tormentos em uma estética sonora e visual que é tão linda quanto é estranha. Além de esbanjar domínio sobre a versatilidade da música eletrônica!

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